Por Guilherme Cruz
Foto arquivo pessoal
Dono de um cartel de 31 vitórias no Boxe, Raphael Zumbano é mais um membro da tradicional família a brilhar nos ringues. Primo de Éder Jofre, um dos maiores pugilistas brasileiros da história, Raphael está determinado em sua campanha de enfrentar a lenda Evander Holyfield no Brasil, e diz que precisa apenas pagar o valor pedido pelo norte-americano para que a luta saia do papel. “Um milhão e meio de dólares para fazer essa luta do Brasil. Menos que isso ele não aceita, é indiscutível”, disse Raphael à TATAME. No bate-papo exclusivo, que você confere a seguir, Raphael disse já ter recebido diversas propostas para lutar MMA, ainda mais após treinar com Vitor Belfort e Georges St. Pierre, mas que a transição para as jaulas ainda está distante.
Você está correndo atrás de patrocínio para tornar realidade essa luta contra o Holyfield no Brasil. Como está sendo essa missão?
Olha, está quase uma missão impossível, a situação está difícil. Ninguém está querendo apoiar. Estão perdendo uma grande oportunidade porque é uma luta que nunca mais vai ter na história do Boxe mundial. Eles deviam apoiar mais, parar de querer apoiar só o futebol e dar um pouquinho mais de valor para os outros esportes também.
Você disse que o Holyfield aceitaria a luta se fosse pago o valor exigido. Quanto?
Um milhão e meio de dólares para fazer essa luta do Brasil. Menos que isso ele não aceita, é indiscutível.
Já apareceu alguém interessado em realizar essa luta?
Como estou aqui em Las Vegas, tem um pessoal no Brasil cuidando disso. Tem algumas empresas com interesse, mas até agora nada 100% fechado. Tem alguns canais de televisão também com interesse. Todo mundo interessado, mas ninguém colocou no papel ainda. Já tive a resposta positiva da Prefeitura do Rio, que se prontificou a ajudar de uma maneira pequena, mas pelo menos é uma ajuda. De repente o Eike Batista também não vê uma possibilidade de um ganho um pouquinho maior pra ele e eu possa fazer essa luta também (risos).
Porque quer tanto essa luta?
Tenho certeza de que uma luta dessas, se acontecer no Brasil, independente de quem vai ganhar ou perder, quem vai ganhar mesmo com isso vai ser o Boxe brasileiro, que vai aparecer na vitrine mais uma vez. A mídia, depois disso tudo, vai voltar com tudo. Vai ser fantástico para o Boxe brasileiro, vai ter espaço pra todo mundo.
O Holyfield já tem 48 anos, mas ainda bate pesado...
É o que eu falo: quando eu era criança, molequinho, ele já lutava e era campeão do mundo. Esse negócio de idade é muito bom a meu favor, mas ele também leva vantagem pela experiência, então é uma luta muito perigosa. ‘Ah, está velho’. É, mas ninguém teve coragem de desafia-lo, lutar com ele.
O Boxe está perdendo cada vez mais espaço para o MMA, principalmente com a vinda do UFC para o Brasil. Como vê essa mudança?
É simples, é só você ver o trabalho perfeito que o Dana White está fazendo. É justo, tem que crescer muito mais. O MMA teve patrocínio, divulgação... Não é uma coisa que veio de hoje. Já faz muito tempo que o MMA está crescendo e está se tornando um dos primeiros esportes do mundo. O Boxe, com a bagagem que tem, se tiver o apoio, vai crescer ainda mais, tanto que você vê os valores de bolsa. É só você comparar de atletas top no MMA com atleta top de Boxe... Só que o MMA está tendo mais procura do que o Boxe.
Acha que se o Boxe tivesse mais apoio conseguiria ultrapassar o MMA?
Eu tenho certeza absoluta, mais do que nunca.
Você tem uma história de família grande no esporte. Como começou a lutar?
Eu sou o vigésimo oitavo lutador da família. Eu fui jogador de vôlei, futebol, pratiquei Jiu-Jitsu durante sete anos, até uma hora que eu falei: ‘eu já fiz tanta coisa, por que não tentar o Boxe?’ Era um esporte que eu já gostava e tudo... Fui me dedicar ao Boxe e graças a Deus até agora tenho uma carreira vitoriosa, é o esporte que eu sou apaixonado e grato.
Sentiu um pouco de pressão por conta do seu sobrenome?
Isso é sempre por parte da mídia e torcedores, mas eu não encaro como pressão. Eu encaro como orgulho de estar lutando em nome da minha família, mesmo porque independente do que eu faça a imagem da minha família está para sempre gravada na história, pelo meu primo Éder (Jofre), pelo meu avô Ralf, pelos meus tios, primos... Quem está lutando sou eu, nada que eu faça vai apagar o que eles já fizeram. Eu não sinto pressão, sinto só orgulho.
Você tem uma ideia de quantas lutas a sua família já fez no total?
Olha, é luta, hein... Nunca fizeram essa pergunta pra mim e também é uma coisa que eu nunca parei pra pensar, mas é muita luta. Eu tenho 36, faço a trigésima sétima agora, na sexta-feira.
Com esse crescimento do MMA, já pensou em se aventurar no MMA?
Se eu falar que não, vou estar mentindo. Passar pela cabeça, já passou. Toda hora eu tenho convite. Quando o Minotauro lutou com o Tim Sylvia, fui para o Rio de Janeiro ajudá-lo no treinamento. O Anderson Silva também, quando estava lá, falou comigo. Diariamente eu tenho convite disso e agora recentemente, como estou morando aqui em Las Vegas, ajudei no treinamento do Vitor Belfort para o UFC Rio. Fui um dos sparings dele na parte de Boxe. O Georges St. Pierre, que esteve lá no CT, também falou isso. Não vou falar que não pensei, mas agora não é o momento. Não digo que nunca faria, mas agora não é o que eu quero. Agora eu estou focado pra fazer essa luta com o Holyfield para ser campeão mundial de Boxe. Quem sabe, no futuro. Eu nunca digo nunca.
Você acha que a bolsa que você recebe hoje e as propostas que recebeu não compensariam a mudança?
Nem pensar... Pelos valores de bolsa que se pagam aos estreantes no MMA, não dá nem pra começar a pensar. É muito difícil, principalmente hoje, que eu estou num nível para lutar pelo campeonato mundial com um cara que é um dos maiores nomes, Evander Holyfield. Largar essa carreira que eu construí para começar uma nova carreira no MMA para receber bolsas pequenas, o que é normal para todo esporte, não tem a mínima condição.
Se você migrasse para o MMA, já entraria em um patamar mais alto. Não te ofereceriam uma bolsa pequena, né?
Eu pensava isso também, até receber algumas propostas...
Se o pessoal abrir um pouco a mão, a gente pode te ver numa jaula de MMA no futuro?
Quem sabe... Isso daí só Deus vai saber responder. Eu não sei, não.