20/09/2012 17h11 - Atualizado em 21/09/2012 10h13

Anderson confessa que está ‘super nervoso’, mas que pode nocautear Bonnar

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Campeão dos médios do UFC, Anderson Silva subirá de categoria pela terceira vez, em um combate não válido por título contra o americano Stephan Bonnar, na terceira edição do UFC Rio, que acontece em 13 de outubro, no Rio de Janeiro.

Na entrevista exclusiva, que você confere abaixo, o campeão falou sobre como surgiu o convite para integrar o card do UFC Rio, avaliou sua preparação para lutar nos meio-pesados, garantiu que se vencer não enfrentará Jon Jones, revelou quem é o seu maior crítico, entre outros assuntos que você pode ler a seguir.

Como está a preparação e a sua cabeça para essa luta?

Então, eu estou com a cabeça boa. Estou bem, super feliz de poder retribuir tudo que o Brasil fez por mim na última luta. Acho que estava devendo isso para a última luta.

Como foi a ligação te convocando para o combate? Conte o passo a passo.

Eu, o Lyoto, o Wanderlei, o Shogun e o Minotauro estávamos na gravação de um comercial e a gente recebeu a ligação do nosso empresário. Aí ele falou que o Dana queria que a gente lutasse. A gente até brincou porque, no intervalo do comercial, a gente estava treinando. A gente tinha acabado de fazer o último round e a gente aceitou fazer a luta.

Como você vê o Stephan Bonnar? Que perigos ele traz?

Ele vai estar mais pesado, é mais forte e é um atleta que é completo. Tenho que tomar todo o cuidado.

O que muda no seu estilo nesse peso?

Muda muita coisa. Vou estar mais pesado, mais lento, supostamente mais fraco que o Stephan Bonnar, até porque ele é mais forte, mais pesado. Ele vai baixar de peso para bater 94kg, então as chances são mais para ele do que para mim, mas a gente está treinando. Espero que dê tudo certo.

Na última vez que você lutou nesse peso foi contra o Forrest Griffin, uma luta histórica. Acha que os fãs podem esperar uma performance como aquela?

Cada luta é uma luta. Espero que eu consiga fazer uma luta bacana, uma luta que o público goste para que a gente tenha feito jus ao que a gente se propôs a fazer, mas é difícil. O Stephan Bonnar é um atleta muito duro, vai estar mais pesado e é mais uma experiência. Acho que vai ser legal.

O Bonnar disse ontem que nem a família dele espera que ele vença. Você também vê um grande favoritismo da sua parte nessa luta?

Não. Acho que uma coisa é eu lutar no meu peso e ter os resultados que eu tenho no meu peso. Outra coisa é lutar na categoria de cima. Na verdade, no dia da luta, ele vai estar peso pesado. Ele não vai estar com 94kg. É complicado.

Abrir esse precedente para lutar no peso acima não cria uma pressão a mais para você lutar com o Jon Jones?

Não (risos). Acho que não. Estou fazendo essa luta justamente por isso: retribuir aos meus fãs do Brasil tudo que eles fizeram na última luta, todos os meus fãs. Acho que é para recompensar tudo que eles fizeram por mim e eu devo isso a eles. Mas não tenho essa pretensão se me manter nessa categoria. Minha categoria é 84kg e ponto.

O Bonnar elogiou bastante o Brasil. Você prefere que a luta fique só dentro do octógono?

É um esporte. O Chael foi infeliz nos comentários dele e, infelizmente, deu no que deu. Ele podia ter ganhado o público brasileiro também, até porque o UFC está aqui no Rio, no Brasil. Podia ter outros eventos que ele podia lutar com outro cara, de outra cidadania, e ser bem recebido e todos os brasileiros torcerem por ele. Acabou que ele perdeu os fãs que ele poderia ter rolado aqui.

E o churrasco, vai rolar ou não?

Então, o churrasco já rolou, mas ele não apareceu (risos).

O Minotauro disse que tinha muita vontade de lutar no Brasil, que tinha esse desejo. Você chegou a pensar nisso ou foi pego de surpresa?

Era para eu ter lutado com o Chael aqui e acabou que deu todo aquele problema e a gente acabou não lutando. Acho que lutar no Brasil é sempre bom. Eu fico super nervoso de lutar aqui, mas estou feliz.

Nervoso por quê?

A cobrança é maior. A gente acaba se cobrando mais de lutar no Brasil, com os fãs brasileiros, aquela coisa de estarem todos os brasileiros torcendo para a gente vencer, então é um pouquinho mais complicado.

Mesmo em uma luta que não vale cinturão?

Não. A pressão continua do mesmo jeito. Não existe isso. A pressão existe de qualquer forma. Ser um atleta brasileiro não é muito fácil. Você tem o reconhecimento, mas você também é cobrado.

E a bandeira do Corinthians, vai estar do seu lado de novo no UFC Rio 3?

Então, eu sou corintiano desde criança, sou atleta do clube e a bandeira do clube é uma coisa. Dentro do campo de futebol, dentro do clube, é bem aceita, mas dentro do octógono é outra coisa. A gente tem vários fãs de MMA que torcem para outros clubes, então a gente tem que ter essa consciência e respeitar essas pessoas. Acho que colocar a bandeira do clube dentro do octógono não é uma coisa inteligente.

E o boné que levaram da última vez?

Virou uma tradição. Tem que colocar o boné para as pessoas tirarem (risos).

Você sempre diz que o Kalyl (filho de Anderson) é o seu maior crítico. Qual foi a análise de ele na última luta? Ele está sempre bastante envolvido.

Eu acabei cobrando agora porque ele foi jogar futebol e quebrou o braço. Mas ele cobra muito. Ele e o Gabriel me cobram muito, ficam o tempo todo me cobrando, falando: “olha pai, você tem que treinar isso, treinar aquilo”. Eu estava treinando Jiu-Jitsu com o Ramon, só treinando Jiu-Jitsu. Ele falou: “pai, vi as lutas do cara e acho que você tem que parar um pouco de Jiu-Jitsu e treina um pouco em pé. Eu sei que você não tem tempo, mas tem que treinar um pouco em pé”.

O Bonnar ainda não foi nocauteado. Você quer ser o primeiro?

Eu tenho que acreditar que eu posso nocauteá-lo, mas é difícil. Ele é um cara duro, um cara que tem uma história e tudo que o UFC se tornou ele também faz parte disso, e tem que ser respeitado como atleta, como um cara que fez história dentro do UFC.

Ele aceitou a luta em cima da hora contra um campeão. Acha que ele não tem nada a perder lutando com você?

Toda luta é difícil. Essa coisa de que não tem nada a perder é muito pouco provável que ele pense assim de verdade. Toda vez que você entra ali dentro você tem alguma coisa a perder, mas cada um pensa de um jeito.

Os fãs começaram a comentar sobre você aceitar lutar com o Bonnar depois dos seus empresários avisarem que você só iria voltar no ano que vem. Fez diferença aceitar um cara de outra categoria? Você pensaria duas vezes se o Dana White oferecesse o Weidman valendo o cinturão?

Acho que tudo tem o seu tempo, sua hora. Ele vai ter a oportunidade dele de lutar pelo cinturão. De repente eu acabo lutando antes de lutar com ele, acabo perdendo e ele acaba lutando com outra pessoa. Não tem nada certo. Eu posso lutar com o Stephan Bonnar e acabar perdendo e falar: “quer saber? Não quero mais saber disso”. Ou acabar ganhando e também falar “não quero mais saber disso”. Ou vou baixar de peso ou vou subir de peso e lutar nos pesados. Tudo pode acontecer. Todo mundo que está lá no UFC vai ter a sua chance. Você tem que trabalhar e esperar a sua oportunidade.

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