13/04/2012 14h30 - Atualizado em 30/07/2012 09h19
Charles do Bronx’s
Por Da Redação
Vindo de uma espetacular vitória conquistada através de uma chave de panturrilha em sua estreia nos penas, Charles do Bronx’s terá uma pedreira pela frente em primeiro de junho, no TUF Finale. O paulista enfrenta Jonathan Brookins, campeão da 12º temporada do reality show do UFC, que vem de nocaute em cima do brasleiro Vagner Rocha. Brookins é cinco centímetros mais alto do que Charles, e o brasileiro quer fazer o que o seu compatriota não conseguiu: encurtar a distância e botá-lo para baixo. Confira a entrevista exclusiva com o lutador, que explicou de onde vem o refinamento de seu jogo de solo, apostou no Jiu-Jitsu para superar o americano, falou sobre a nova categoria e como lutar com um atleta mais alto.
Você estreou no peso pena do UFC finalizando seu oponente com uma chave de panturrilha. Sentiu-se melhor nessa nova categoria? Qual foi a mudança mais significativa?
Lógico que mudou, mudou bastante. A minha nova categoria é muito mais rápida. Não tem como, a gente sente a diferença. Eu não cortava peso e agora corto, então você sente uma grande diferença de uma categoria para outra, tem que passar por aquele sofrimento. Eu corto peso como todo mundo hoje em dia e, querendo ou não, você tem um pouco mais de força. É um estilo que eu gosto, uma luta mais ágil, então está fazendo diferença.
Qual é a expectativa para a luta com Jonathan Brookins? Já está na parte mais específica do treino?
Cara, já começamos tem um tempo. O treino agora está focado em nosso adversário. A gente já procurou saber no que ele é bom, o que ele não é bom, o que ele faz, os erros dele para gente poder jogar na luta. Estamos batalhando, trabalhando o Jiu-Jitsu, Muay Thai e o MMA para, se Deus quiser, sair com a vitória de novo.
Ele tem cinco centímetros a mais de estatura do que você. O que pretende fazer para amenizar essa diferença de envergadura?
A gente trabalha bastante. Já lutei com uns caras que eram bem menores do que eu, então trabalhei a distância. Penso em encurtar a luta e fazer o meu trabalho. Não sei o que a gente vai fazer porque ainda estamos procurando saber as coisas dele, mas, como já falamos, ele é muito grande, então a gente tem que trabalhar na curta distância para os golpes entrarem e a gente fazer um trabalho bom.
A sua estreia na categoria trouxe uma coisa nova para o MMA: um golpe do Jiu-Jitsu que nunca havia sido usado no UFC. Está planejando alguma nova surpresa? Tem treinando alguma posição diferente?
Eu treino um pouco de tudo. Graças a Deus, nessa última luta, Deus me deu um golpe para contar história no MMA. Mas é aquilo: se o adversário bobear, quem sabe não entra outro golpe diferente, que ninguém viu, e eu possa sair com a vitória também. Mas tenho que me focar no trabalho, que é o arroz com feijão. Às vezes sai um golpe diferente e eu posso me consagrar, então estou batalhando, treinando duro, sempre tentando inventar alguma coisa para por em prática na luta.
Talvez o Jiu-Jitsu possa ser um caminho melhor do que a trocação para você nessa luta?
Cara, pode ser que sim, já que a maioria das lutas eu finalizei, então… Eu nunca pensei ‘ah, essa hipótese vai acontecer’. A luta é MMA. Eu vou começar a luta em pé. Se eu vir que estou me mando mal e tiver oportunidade de botar para baixo… Mas se o meu Muay Thai e Boxe tiverem melhores do que o dele… Mas, sim, penso na oportunidade de colocá-lo para baixo. Mas vamos ainda analisar o que ele faz de melhor e o que ele faz de pior para começarmos a achar os erros dele. Quem sabe? Talvez eu possa começar um caminho pra colocar pra baixo, com certeza vou dar o meu jeitinho de colocá-lo pra baixo. Tudo o que eu puder fazer… Sou faixa-preta e tenho que honrar o Jiu-Jitsu brasileiro. Vamos que vamos.
Como foi receber essa faixa preta do Macaco? Já fez alguma diferença?
Com certeza. É uma confiança a mais ver que o Macaco e o Erick estão dando para mim, vendo que meu Jiu-Jitsu está cada vez melhor, mesmo estando longe, pelo fato de eu estar me dedicando mais ao MMA. Comecei a passar um pouco do Jiu-Jitsu, mas sempre treinamos o Jiu-Jitsu. A gente treina um Jiu-Jitsu de competição, mas na faixa preta a gente vê a diferença. A faixa preta é só um pouquinho no meio do nada, e a gente tem que batalhar cada dia mais. Quando a gente está na preta, a gente volta à branca, porque o preta que treina com você tem dez anos de preta, então a gente tem muito aprender. Eu peguei a preta e sei que tenho que aprender muito na minha vida para estar cada dia melhor. Estou treinando duro, batalhando para honrar essa faixa preta que o Ericson e o Macaco me deram.
Você ainda veste o quimono de vez em quando?
Eu treino todos os dias de quimono, duas vezes por dia: uma vez de manhã e outra na parte da noite. Participar de campeonatos está muito difícil. Em dois anos, acho que lutei três campeonatos de Jiu-Jitsu. Eu treino todos os dias de quimono, é como se eu tivesse colocando um terno. Mas competir fica difícil. Eu já me inscrevi em Mundial, Brasileiro e perdi o dinheiro pelo fato de que marcaram a minha luta, um mês antes…
Você acha que o treino de quimono dá um refinamento maior, mesmo você lutando sem o paletó no MMA?
Dá, sim. Eu gosto de treinar de quimono e sem quimono. Eu treino tudo, um pouco de cada coisa. Eu acho que eu tenho que estar treinando muito sem quimono porque quando a gente treina de quimono a gente tem uma pegada um pouco mais justa, não fica aquele ‘bagulho’ mais solto, seu adversário não fica escapando dos golpes. Tem uma grande diferença de quando você treina de quimono e sem quimono. Quando você treina de quimono fica um pouco mais justo na hora da trocação, de botar o cara pra baixo, fica mais colado a ele, você sabe que fica um jogo mais justo.


















