Coluna da Arte Suave: o Jiu-Jitsu como estilo de vida e transformador de corpo e mente; confira

Tatame

13/04/2017 10:00

Se você tem o Jiu-Jitsu como um estilo de vida, uma filosofia de vida, verá que a arte suave é um agente transformador de corpo e mente. A cada treino, você evolui, e creio que uns dos principais ensinamentos e trampolim para a evolução dentro do Jiu-Jitsu é o respeito e a humildade em relação ao oponente. Você aprende a respeitar o seu adversário de treino ou na competição em que estiver. Treinos não se comentam, principalmente de maneira leviana, para contar vantagens sobre alguém. O quimono pode estar mais novo ou mais gasto, mas são apenas quimonos em momentos diferentes.

Um atleta pode ser mais forte ou mais baixo, mas o Jiu-Jitsu está dentro de cada um de nós. As faixas mostram o tempo que cada um treina, mas não é marcador de quem vai ganhar. Um lutador pode ser mais agressivo, outro lutador pode ser mais calado, mas é no decorrer da luta que o resultado se desenha, e muitas vezes surpreendem a todos. “Se tamanho fosse documento, o elefante seria o rei da selva!”, é uma frase muita ouvida no Jiu-Jitsu. Já vi lutadores escolherem oponentes para treinarem achando que seria um treino fácil ou pelo menos tranqüilo, e tomarem um carro. Quando isso acontece, muitas vezes é por conta de uma falta de respeito e humildade, princípios básicos para todos os lutadores.

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Em sua coluna, Luiz Dias fala sobre o Jiu-Jitsu tratado como estilo de vida (Foto Divulgação)


Quantos de nós já não vimos amigos perderem por soberba ou por chegar cheio de marra em uma luta e tomar um carro? Você sabe que ele é melhor, mas lutou tão marrento, com um ar de que “finaliza quando quiser”, que perdeu o foco da luta, ou melhor, nem entrou na luta, enquanto aquele outro lutador, consciente de suas limitações e ou sabedor da superioridade de seu adversário, lutou focado, respeitando seu oponente, mais atento ao momento presente da luta e percebendo a hora exata de uma raspagem ou finalização, acreditando que também poderia vencer.

Acredito ser um fator importante a autoconfiança, mas nunca confunda com arrogância. O lutador não pode e nem deve desrespeitar seus oponentes antes, durante ou depois de uma luta de campeonato ou em treinos. Como também querer tirar o mérito da vitória do seu oponente com justificativa de lesões. Não lutou porque quis? Então saiba encarar a derrota com honra também. Podemos até mesmo, em uma luta, sabermos intimamente que temos tudo para ganhar, mas respeitar o oponente é fundamental. Ser humilde é o primeiro passo para estarmos sempre aprendendo e evoluindo na nossa arte suave.

Conheço lutadores que se colocam como se não tivessem mais nada a aprender. Acredito que o aprendizado é constante. Quando você está de mente vazia, ela pode ser receptiva e aprender novas posições, movimentações e perceber novas possibilidades vislumbradas por outro lutador. Sempre escuto e presto atenção quando vão me mostrar posições, porque pode ser um aprendizado muito importante. Às vezes, aquele lutador mais quieto, ou que você não conhece, pode te mostrar uma excelente técnica. Já presenciei em campeonatos vitórias de atletas que nem torcidas tinham. Treine sempre com respeito, ou a lição pode vir com um gosto amargo. A luta só acaba quando o árbitro sinaliza o fim do combate ou um dos lutadores dá os três tapinhas.