Vindo de três triunfos, Mutante revela problemas sérios com lesões: ‘Quase tive que me aposentar’

João Carlos Cavalcanti

15/02/2017 02:25

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Cezar Mutante está vivendo uma grande fase dentro do UFC (Foto Buda Mendes/Zuffa LLC)

Vivendo boa fase na carreira e também na maior organização de MMA do mundo, Cézar Mutante bateu os três últimos oponentes que o Ultimate colocou em sua frente. Agora, o brasileiro vai encarar o promissor Elias Theodorou, pelo UFC Halifax, no Canadá, marcado para acontecer no próximo domingo (19). Antes de acumular três triunfos consecutivos, o campeão do TUF Brasil 1 estava passando por uma fase complicada e também por problemas sérios.

Quando entrou na casa da primeira edição do TUF Brasil, Mutante já era considerado uma promessa. Todavia, em 2015, acabou sofrendo dois reveses seguidos, onde foi nocauteado por Sam Alvey e Jorge Masvidal, e muito já era especulado sobre sua saída do Ultimate e até mesmo uma possível aposentadoria. Entretanto, o ano de 2016 marcou a grande recuperação de Cezar dentro da organização. 

Em entrevista exclusiva para a TATAME, Mutante revelou que passou por sérios problemas com lesões e isso quase acarretou em uma aposentadoria do lutador. Todavia, com muita força de vontade, o brasileiro conseguiu dar a volta por cima e contou sua história de superação no esporte.

“Nunca dei nenhuma desculpa para nenhum resultado negativo na minha carreira e nem fiz questão de mostrar os problemas que eu tive para não usar isso como muleta. Mas eu tive sérios problemas, a ponto de pensar em aposentadoria. Não porque eu queria, mas pelo físico mesmo. Estava com uma lesão seríssima na coluna. Só para ter uma noção, eu tive que dormir sentado durante dois anos. Tomava remédio para dor quase todos os dias. Cada duas, três semanas, tive que fazer infiltração local na coluna para poder treinar. Fiz uma cirurgia para colocar oito parafusos na coluna, e há de convir que, para uma pessoa assim, ia ser difícil para qualquer ser humano ter uma boa performance. E até acredito que fiz muito, pois pelo o que eu tive, enquanto muitos ficariam na cama, reclamando da vida, da sorte, eu arregacei as mangas e coloquei minha cara à tapa no octógono. Ganhei algumas, perdi outras, mas mantive meu foco, tentando achar meu caminho de volta para sair daquela minha adversidade, tentando achar um modo de sustentar minha família a qualquer custo, e isso só me enche de orgulho. Hoje, eu vivo um novo momento. O tempo passou, eu me recuperei, estou 100% saudável e não tomo remédio para nada. Então, hoje eu consigo levantar, dormir, comer e treinar bem. Isso se deve muito à minha força de vontade. Eu não desisti quando o mundo virou as costas para mim. As pessoas disseram que eu estava acabado, que não aguentava pancada... Fiz questão de não ouvir isso e só acreditei em mim mesmo. É uma história que gosto de contar, mas não para a promoção, mas para as pessoas acreditarem mais em si. Se você acreditar que pode e estiver disposto a pagar o preço, o que eu indico é que as pessoas não ouçam as outras e simplesmente sigam sua intuição e façam aquilo que tem de ser feito. Atribuo também esse momento à mudança de time. Estou com dois treinadores maravilhosos, que é o César Carneiro e o Daniel Valverde. O meu preparador físico Joel Carlos Santana, que fez um trabalho maravilhoso comigo e me colocou forte de novo. O Tom Gama, que é meu treinador emocional. Provamos que nós podemos nos superar. Acredito que meu melhor ainda está por vir e creio que esse ano será isso", contou Mutante.

Confira a entrevista exclusiva com Cezar Mutante abaixo:

- Acredita que está vivendo uma boa fase?

Acredito que estou vivendo uma ótima fase, mas ainda não atingi o meu máximo, o meu pico. Tenho treinado bastante, tentando desenvolver minhas qualidades, habilidades e acredito que o melhor ainda está por vir. O ano passado foi excelente, foi um ano da superação, do meu retorno. Quando todos acharam que eu estava acabado, que o Mutante ia se aposentar, mandado embora do UFC... Fui lá, renasci, venci todas as lutas e ganhei o bônus de "Performance da Noite" no meu último combate no ano, que fiz na minha cidade, em São Paulo. Estou muito feliz com o resultado, mas não satisfeito, pois sei que posso fazer melhor.

- Crê que uma estratégia parecida com a do Marreta faça você bater Theodorou?

Acredito na minha própria estratégia, mesmo porque, eu acho que não foi uma estratégia muito inteligente naquela luta do Marreta... Não sei nem se ele tinha aquela estratégia. Acho que a luta foi acontecendo e ele foi vencendo. Mas vejo muitas brechas no jogo do Elias, estou focando nas minhas qualidades técnicas e quero chegar lá pronto para vencê-lo em todas as áreas, psicologicamente, tecnicamente e fisicamente. Sei que ele é um cara completo, versátil, gosta de chutar, de ser imprevisível, então, a gente está estudando bastante o time dele para chegar lá e fazer a luta parecer como foi a minha última. Parecia que eu sabia tudo o que meu oponente ia fazer, mas não foi isso. A gente mapeou o jogo dele todo e ficou mais fácil de jogar o jogo na hora. Então, essa será a minha tática para lutar com o Elias.

- Acredita que o vencedor dessa luta entre para o ranking?

Acredito que sim, até porque o Cigano acabou de sair do card e ele era o main event, e nós estávamos no co-main event. Eu acredito que essa luta tem tudo para ser a principal. Nós somos dois campeões do TUF, então tem tudo de interessante para o público em geral, por ser dois caras com jogos diferentes, imprevisíveis, então acho que será uma luta bem empolgante. Acho que uma boa vitória sobre ele me coloque no Top 15 ou me coloca perto. Para ser sicero, nem me importo muito com isso, pois sei que meu momento vai chegar. O que me importa mesmo é chegar a ser o número um. Então, quem eu tiver que vencer para conquistar o meu objetivo, eu darei meu melhor. A gente merece ter o main event desse show.

- Cinturão

Ser o campeão é uma coisa que penso todo dia, vou dormir pensando nisso e acordo pensando nisso. Não quero ser grosso, mas se eu não pensasse em ser campeão, eu já teria me aposentado e parado com o que estou fazendo. Inclusive, a pessoa que faz uma coisa, independentemente da carreira, se ela não tem o objetivo de um dia ser o número um, o melhor, acho que deve estar na carreira errada, ou no trabalho errado. Penso, sim, que posso ser campeão, sei que tenho que amadurecer bastante, melhorar em alguns pontos, mas acho que agora o caminho está correto. Estou com um bom time, bom treinamento, corpo saudável, por que não? Tenho tudo, sim, para ser o campeão dessa categoria. Com humildade, com calma e ganhando um oponente de cada vez, sei que meu momento vai chegar e creio que mais breve do que até mesmo eu imagino.

CARD COMPLETO:

UFC Fight Night 105
Domingo, 19 de fevereiro de 2017
Scotiabank Center, em Halifax, no Canadá

Card Principal

Derrick Lewis x Travis Browne
Johny Hendricks x Hector Lombard
Sam Sicilia x Gavin Tucker
Elias Theodorou x Cezar Mutante
Sara McMann x Gina Mazany
Paul Felder x Alessandro Ricci

Card Preliminar

Nordine Taleb x Santiago Ponzinibbio
Carla Esparza x Randa Markos
Aiemann Zahabi x Reginaldo Vieira
Jack Marshman x Thiago Marreta
Gerald Meerschaert x Ryan Janes