Wand fala sobre doping, aposentadoria de Sonnen e quer luta contra Rockhold no Rio

Wanderlei quer lutar no Brasil (Foto Marcelo Barone)

O exame antidoping, bem como toda a confusão envolvendo o cancelamento de sua luta contra Chael Sonnen, ficou para trás. Wanderlei Silva está pronto para a próxima. As críticas – que foram muitas – não afetaram sua popularidade, segundo o próprio lutador. A tônica de sua carreira sempre foi a de proporcionar combates emocionantes, independentemente do adversário. E, se o norte-americano está fora de ação, outro atleta está em sua alça de mira: Luke Rockhold, com quem gostaria de medir forças no dia 25 de outubro, data do UFC 178, no Rio de Janeiro.

Em entrevista exclusiva à TATAME, nesta sexta-feira (11), o “Cachorro Louco” quebrou o silêncio. Falou sobre o desafeto Sonnen, analisou o imbróglio envolvendo o exame antidoping e mostrou que não tem medo de ser demitido pelo Ultimate. “São os fãs que me empregam. Não é o Dana White, e nem o UFC”, disparou.

Confira a entrevista na íntegra:

O que mudou na sua vida após toda essa confusão?

A vida está ótima. Estou treinando bem. Fiz um teste por conta própria no Brasil, dia 6 de junho, para ver se o corticoide e o diurético tinham saído do corpo. Fiz o teste da testosterona também. Na minha idade, o nível é de 180, e o meu deu 160. Estou completamente limpo e apto a lutar o mais rápido possível. Estou só esperando o UFC dizer o dia e o local. Em dois meses, já estarei pronto para lutar.

Acha que ficou com a imagem arranhada por conta do doping?

Atleta agradeceu os fãs (Foto Eduardo Ferreira)

Nem um pouco, muito pelo contrário. Foi tudo esclarecido, mostrado… Compareci à audiência, admiti meu erro e quem está comigo, entendeu. Essa revolta que houve na internet foi uma coisa pequena, de meia dúzia de “gatos pingados”. Tenho mais gente comigo do que contra mim. Depois disso tudo, quem não me conhecia, passou a conhecer. Fiquei mais conhecido. Minha academia está com mais gente, graças a Deus. Estou em um dos pontos mais altos de popularidade na minha carreira.

Que motivo o levou a tomar o diurético? 

Eu estava com o cotovelo muito dolorido. Eu levava um soco no braço e ficava paralisado. Os anti-inflamatórios não estavam mais funcionando. Tomei os corticoides que, segundo o médico, sairiam do corpo em uma semana ou dez dias. Comecei a reter líquido, e a subir de peso. Tomei o diurético para fazer xixi e sair o líquido de uma vez, só que o cara da comissão chegou um mês antes da luta na minha academia. Eu sabia que ia cair no teste e, para os leigos, não importa o que é: caiu no doping, é tudo a mesma coisa.

O que sente quando ouve gente falando que você fugiu da luta contra o Sonnen?

Eu não sinto nada, porque sei que não corri. Noa corri dele e nem de ninguém. Quem está nesse esporte há muito tempo e conhece a minha trajetória, sabe disso. A rapaziada nova, que está criticando, deveria se informar melhor para ter opinião formada. Críticas construtivas, eu aceito, são bem-vindas. Críticas que não dizem nada, de coisas que só existem para agredir, deixo de lado. Sei quem sou e o que fiz. Amigo é amigo, e filho da p*** é filho da p***.

Você teme ser demitido pelo UFC?

Nem um pouco. Nas últimas três vezes em que entrei no octógono, ganhei o prêmio de “Luta da Noite”. Todo evento que eu luto, é sold out (ingressos esgotados), a audiência chega a grandes números… Tenho uma gama de fãs e são eles que me empregam. Não é o UFC, e nem o Dana White, são meus fãs.

Como foi ficar fora de uma luta tão aguardada?

As pessoas queriam ver tanto essa luta… Eu já tinha investido, do meu bolso, mais ou menos 40 mil dólares, entre preparação e outras coisas. E isso ninguém quis saber. Fora o que eu ganharia após a luta. Seria uma das maiores bolsas da história do UFC. Eu sou o maior prejudicado quando há o cancelamento de uma luta como essa. Enfrentei o Hunt, o Cro Cop e o Quinton Jackson três vezes, eu nunca correria do Sonnen. Fui eu que pedi a luta. Gastei meu tempo, fiquei longe da minha família, da minha esposa. Uma outra coisa que me deixou chateado, assim que saiu a notícia, foi publicarem: “Wanderlei se nega a fazer o teste, e Sonnen está limpo”. Vi isso na internet. Quem falou que ele estava limpo? Ele estava tomando tudo e mais um pouco. Quem publicou essa notícia deveria se retratar, pois ele não estava limpo. Houve muita coisa tendenciosa, desde o TUF.

‘Cachorro Louco’ acredita que Chael Sonnen ainda voltará a lutar (Foto Marcelo Barone)

Você não gostou da edição dos episódios?

A edição do programa foi tendenciosa. Aparecia sempre o cara (Sonnen) rindo, e eu de cara feia, mandando tomar nisso ou naquilo. E aí colocavam os atletas do time do Sonnen elogiando. Isso manipula a opinião dos outros. Como foi colocado, ficou ruim para mim. O fato é que tive a postura que eu gostaria de ver um brasileiro tendo. Defendi a bandeira do meu país.

O que achou da decisão do Sonnen de se aposentar depois de testar positivo no antidoping?

Foi uma coisa de momento. Ele se aposentou pois ficaria um ano fora, mas ainda acho que vai voltar a lutar. Foi uma coisa para gringo ver. Quando passar esse período, ele voltará e iremos realizar o nosso combate.

Quem espera enfrentar em sua volta ao octógono?

Eu gostaria mesmo de pegar o Sonnen, mas ele está fora. Poderia ser o Belfort, por que não? Ele ganha o cinturão do Weidman e luta comigo. Todo mundo quer ver essa luta. Estou desafiando o desafiante (risos). Gostaria de enfrentar o (Luke) Rockhold, um cara bom, que vem de vitórias e é ex-campeão do Strikeforce. Acho que pode me colocar na linha do cinturão. Seria perfeito enfrentá-lo no Maracanãzinho. No UFC Rio 2, assisti o evento da arquibancada, e os cariocas deram uma aula de apoio ao José Aldo, que nocauteou o Chad Mendes. Seria um sonho lutar no Rio.

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